O julgamento de Hamlet e o teatro de Shakespeare

O espetáculo de teatro Please Continue Hamlet, baseado na obra de Shakespeare, apresenta o julgamento de Hamlet: O palco é uma sala dentro do Paço Municipal de Santos, onde julgamentos reais aconteceram no passado. O público, que aguarda um espetáculo de Shakespeare, ocupa as cadeiras de madeira que rangem, acusando sua idade avançada. Entra o juiz e sua assistente, às 15h, do dia 12 de setembro de 2016, na Sala Princesa Isabel, é aberta a sessão de julgamento de Hamlet, acusado do homicídio de Polônio. Até aqui a vida real nos parece um espetáculo. Há figurinos, papéis a serem interpretados, um roteiro a ser seguido. “Onde estão os atores?”, os olhares curiosos parecem perguntar. Era como se estivessem disfarçados ali, diante de nossos olhos.

Espetáculo Please Continue Hamlet - Mirada - Sesc Santos

Após o veredicto, a cumplicidade entre público e ator impedia o espetáculo de terminar. Fomos conversar com os atores, tão surpresos com o desenrolar da história quanto nós. “Não acredito que de novo inocentaram o Hamlet!” bradava Matheus Macena, o ator que interpretou o próprio. “Eu queria que ele fosse condenado para ver o que acontece. Será que não estou fazendo direito o meu papel?” O diretor Roger Bernat conta que, em Recife, Hamlet interpretado por outro ator foi condenado. “O ator interpretou Hamlet como um homem violento. Bruto. A plateia ficou com medo dele e o júri o condenou.” O dinamismo dos improvisos quase nos faz esquecer que estamos diante da ficção. Ao que nos pareceu, atores, advogados e peritos, todos também eram público. E assim como nós, se sentiram provocados, envolvidos, imersos naquele julgamento.

Indiara Duarte

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